Terça-feira, 17 de março de 2026 Login
O tratamento de doenças raras no interior do Paraná acaba de ganhar um importante reforço. O Hospital da Criança de Maringá (HCM) recebeu habilitação do Ministério da Saúde para o funcionamento do Ambulatório de Genética Médica e Doenças Raras, reconhecimento que permite à unidade acessar recursos específicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para custear exames genéticos de alta complexidade e terapias especializadas.
A conquista amplia o acesso da população do Noroeste do Paraná — incluindo pacientes de cidades como Umuarama e região — a serviços altamente especializados para diagnóstico e tratamento de doenças genéticas raras, que muitas vezes exigem investigação laboratorial complexa e acompanhamento contínuo.
Inaugurado em maio do ano passado, o hospital já vinha realizando atendimentos na área mesmo antes da habilitação oficial. A estrutura começou a operar cerca de três anos antes do prazo inicialmente previsto para a implantação completa do serviço, antecipação considerada estratégica diante da crescente demanda por diagnóstico especializado.
Um dos marcos do ambulatório ocorreu em novembro, quando foi realizada a primeira sessão de terapia enzimática no hospital. Esse tipo de tratamento é indicado para determinadas doenças genéticas raras e, na maioria dos casos, precisa ser realizado de forma contínua — frequentemente com aplicações semanais — para controlar a evolução da enfermidade e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Com a publicação da portaria federal, o ambulatório passa a ter condições de financiar exames genéticos de alta complexidade pelo SUS, permitindo diagnósticos mais precisos e ampliando as possibilidades de tratamento dentro da rede pública de saúde.
O reconhecimento foi divulgado na mesma semana em que se celebrou o Dia Mundial das Doenças Raras, em 28 de fevereiro, data que marca o encerramento da campanha Fevereiro Lilás, dedicada à conscientização sobre essas enfermidades.
Para o secretário municipal de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi, a habilitação representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela equipe e à antecipação da estrutura do serviço.
“Encerramos o Fevereiro Lilás recebendo o reconhecimento do Ministério da Saúde e valorizando o trabalho daqueles que idealizaram essa estrutura e agilizaram para que o ambulatório já estivesse operando”, afirmou.
O Ambulatório de Genética Médica e Doenças Raras do Hospital da Criança de Maringá conta com protocolos específicos e equipes multidisciplinares, formadas por médicos, geneticistas, enfermeiros e outros profissionais especializados. O atendimento inclui consultas direcionadas, exames genéticos específicos e acesso a terapias avançadas.
Para muitas famílias que enfrentam a longa jornada até o diagnóstico de uma doença rara — processo que pode levar anos — a habilitação representa mais agilidade no diagnóstico, ampliação do acesso ao tratamento e esperança de melhor qualidade de vida para os pacientes atendidos pelo SUS no interior do Paraná.