Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 Login
Quase toda a população global, 99% das pessoas, respira ar que excede os limites de qualidade definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em alerta realizado nesta segunda-feira (4), a OMS destaca que o problema afeta a saúde dos indivíduos a nível global.
Um número recorde de mais de 6 mil cidades em 117 países monitora a qualidade do ar. No entanto, as pessoas que vivem nesses locais ainda respiram níveis insalubres de partículas finas e dióxido de nitrogênio. Pessoas em países de baixa e média renda sofrem as maiores exposições.
A OMS destaca a importância de reduzir o uso de combustíveis fósseis e de outras medidas possíveis para reduzir os níveis de poluição do ar.
Neste ano, a atualização dos dados de qualidade do ar da OMS apresenta, pela primeira vez, medições das concentrações médias anuais de dióxido de nitrogênio (NO2), um poluente urbano comum e precursor do material particulado e do ozônio. O documento inclui também medições de partículas com diâmetros iguais ou inferiores a 10 μm (PM10) ou 2,5 μm (PM2.5). Ambos os grupos de poluentes se originam principalmente de atividades humanas relacionadas à queima de combustíveis fósseis.
De acordo com a OMS, o novo banco de dados de qualidade do ar é o mais extenso até agora em sua cobertura da exposição à poluição do ar a nível do solo. Cerca de 2 mil novas cidades e assentamentos humanos passaram a registrar dados de monitoramento para material particulado, PM10 ou PM2.5, em comparação à última atualização. Isso marca um aumento de quase seis vezes nos relatórios desde que o banco de dados foi lançado em 2011.
Enquanto isso, a base de evidências para os danos que a poluição do ar causa ao organismo humano vem crescendo rapidamente e aponta para impactos significativos causados por níveis baixos de muitos poluentes do ar.
O material particulado, especialmente o PM2.5, é capaz de penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, causando impactos cardiovasculares, cerebrovasculares (como o acidente vascular cerebral) e respiratórios. Há evidências significativas de que o material particulado afeta outros órgãos e também causa outras doenças.
O dióxido de nitrogênio está associado a doenças respiratórias, particularmente asma, levando a sintomas respiratórios (como tosse, chiado ou dificuldade para respirar), internações hospitalares e atendimentos nos serviços de emergência.
Em 2021, a OMS revisou as suas Diretrizes de Qualidade do Ar, aumentando o rigor do documento em um esforço para ajudar os países na avaliação local da condição do ar.
“As preocupações atuais com a energia destacam a importância de acelerar a transição para sistemas de energia mais limpos e saudáveis”, disse Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS em comunicado. “Os altos preços dos combustíveis fósseis, a segurança energética e a urgência de enfrentar os dois desafios de saúde da poluição do ar e das mudanças climáticas ressaltam a necessidade premente de avançar mais rapidamente em direção a um mundo muito menos dependente de combustíveis fósseis”, completou.
A OMS indicou uma série de medidas que os governos podem tomar para melhorar a qualidade do ar e a saúde da população.
A lista inclui estratégias como adotar, revisar e implementar padrões nacionais de qualidade do ar de acordo com as últimas diretrizes da entidade; monitorar a qualidade do ar e identificar fontes de poluição; apoiar a transição para o uso exclusivo de energia limpa doméstica; construir sistemas de transporte público seguros e acessíveis e redes amigáveis para pedestres e ciclistas.
As recomendações também contemplam a implementação de padrões mais rígidos de emissões e eficiência dos veículos, a imposição de inspeção e manutenção obrigatórias para veículos, o investimento em habitação com eficiência energética e geração de energia, além da melhoria na gestão de resíduos industriais e municipais.
O documento propõe a redução da incineração de resíduos agrícolas, incêndios florestais e de algumas atividades agroflorestais (como produção de carvão, por exemplo) e a inclusão da poluição do ar nos currículos dos profissionais de saúde.
Países de renda mais alta têm menor poluição por partículas, mas a maioria das cidades tem problemas com dióxido de nitrogênio, segundo a OMS. Em 17% das cidades em países de alta renda que monitoram a qualidade, o ar está abaixo das diretrizes considerando PM2.5 ou PM10.
Em países de baixa e média renda, a qualidade do ar está em conformidade com os limites recomendados pela OMS em menos de 1% das cidades.
Globalmente, os países de baixa e média renda ainda apresentam maior exposição a níveis insalubres de material particulado em comparação com a média global, mas os padrões de dióxido de nitrogênio são diferentes, mostrando menos diferença entre os países de alta, baixa e média renda.
Cerca de 4 mil cidades ou ocupações humanas em 74 países coletam dados de dióxido de nitrogênio ao nível do solo. Juntas, as medições mostram que apenas 23% das pessoas nesses locais respiram concentrações médias anuais de dióxido de nitrogênio que atendem aos níveis da versão mais recente das diretrizes da OMS.
“Depois de sobreviver a uma pandemia, é inaceitável ainda ter 7 milhões de mortes evitáveis e inúmeros anos perdidos de boa saúde devido à poluição do ar. É isso que estamos dizendo quando analisamos a montanha de dados, evidências e soluções sobre poluição do ar disponíveis. No entanto, muitos investimentos ainda estão sendo feitos em um ambiente poluído e não em um ar limpo e saudável”, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS em comunicado.
As pessoas que vivem em países de baixa e média renda são as mais expostas à poluição do ar. Elas também são as menos cobertas em termos de medição da qualidade do ar – mas a situação está melhorando segundo os novos dados da OMS.
A Europa e, em certa medida, a América do Norte continuam a ser as regiões com os dados mais abrangentes sobre a qualidade do ar. Em muitos países de baixa e média renda, embora as medições de PM2.5 ainda não estejam disponíveis, eles observaram grandes melhorias nas medições entre a última atualização do banco de dados em 2018 e esta, com mais 1.500 assentamentos humanos nesses países monitorando a qualidade do ar.
A base de evidências para os danos causados pela poluição do ar vem crescendo rapidamente e aponta para impactos significativos causados por níveis ainda baixos de muitos poluentes atmosféricos. O banco de dados de 2022 tem como objetivo monitorar o estado do ar do mundo e contribui para o rastreamento do progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Fonte: CNN Brasil
COM 100% DE DEDUÇÃO FISCAL
SE VOCÊ AMAMENTA, SEJA DOADORA
Banco de Leite Humano da Norospar precisa de novas doadoras para manter abastecimento
CULTURA TRANSFORMADORA
Terapeuta de Umuarama tem projeto cultural aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura