Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 Login
Em Umuarama e região a situação não é diferente, podendo chegar, no mínimo, dois anos e meio de peregrinação, se tudo ocorrer bem
Foto: Paulo Santos / Divulgação
Esta semana a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) divulgou dados que apontam a dificuldade de acesso as cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a cirurgia metabólica pelos planos de saúde em todo o país.
Em Umuarama e região a situação não é diferente e o portador de obesidade crônica tem que enfrentar um longo e burocrático caminho desde a porta de entrada do atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro até chegar a mesa de cirurgia. São no mínimo dois anos e meio de peregrinação, se tudo ocorrer bem.
SUS
Segundo presidente da Associação Médica de Umuarama (AMU), o cirurgião do aparelho digestivo e coordenador do serviço de cirurgia bariátrica do Hospital Uopeccan, Fábio de Carvalho, mais de 75% das cirurgias ocorrem pelo SUS, onde atualmente apenas o procedimento mais invasivo, que a cirurgia aberta ou laparotomia é realizada.
BALANÇA
Ele afirmou que apesar de seu custo ser menor do que um procedimento por videolaparoscopia, os riscos ao que o paciente está exposto e o tempo de recuperação para o retorno ao trabalho são muito maiores. “Quem faz por videolaparoscopia em 10 dias já retornou as suas atividades normais. Quem passa pelo procedimento aberto a recuperação é de 30 a 90 dias. A luta é pela inclusão do procedimento menos invasivo também pelo SUS e planos de saúde”.
CONSULTA PÚBLICA
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica defende a inclusão da cirurgia metabólica – indicada para portadores de diabetes que não conseguem o controle da doença com medicamentos – no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O procedimento, que já foi regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente está em consulta pública na ANS para obter a cobertura pelos planos de saúde.
DIABETES
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica informou que, nos últimos anos, conduziu estudos de custo e efetividade e também estudos clínicos randomizados que comprovam a remissão do diabetes em pacientes que passam pela cirurgia metabólica. A entidade propõe que, a cirurgia, hoje oferecida aos pacientes com obesidade, seja coberta também para pacientes com diabetes tipo 2. “Estudos comprovam a remição da diabetes tipo 2 em até 90% dos pacientes”, salientou o médico.
EM UMUARAMA
Em Umuarama, dois hospitais estão habilitados pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde (SESA) para realizar os procedimentos: Instituto Nossa Senhora Aparecida e Uopeccan, que além da 12ª Regional (de Umuarama) também é o hospital referência para as 11ª RS (Campo Mourão), 13ª RS (Cianorte) e 14ª RS (Paranavaí).
O credenciamento da Casa de Saúde saiu em dezembro de 2019 e desde março de 2020 todos os procedimentos foram suspensos pela SESA por conta da covid19. Segundo o coordenador do serviço de cirurgia bariátrica do Hospital, Fábio de Carvalho, se aguarda a liberação da Regional de Saúde para a retomada dos atendimentos.
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LIBERAÇÕES
Segundo a chefe da 12ª Regional de Saúde, Viviane Herrera, no início do ano a SESA modificou todo o procedimento para a liberação das intervenções cirúrgicas. “A Uopeccan têm os pacientes, mas agora que vai começar a verificar os que já estão prontos para operar”, afirmou.
PEREGRINAÇÃO
Atualmente o paciente, mesmo nos casos de obesidade mórbida, precisa passar obrigatoriamente por um acompanhamento de dois anos com nutricionista e psicólogo junto a USB de seu bairro para que após a Secretaria de Saúde do Município emita um relatório comprovando o atendimento e o fracasso de se obter a perda de peso pelos tratamentos convencionais para que o paciente seja encaminhado para um médico especialista que irá avaliar a indicação ou não da cirurgia bariátrica.
FATORES
Neste ponto outros dois fatores passam a ser considerados: o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35 aliada a uma doença pré existente como diabetes, hipertensão ou cardiovasculares. Atualmente são 21 comorbidades constantes em lista do Conselho Federal de Medicina.
Após a Casa de Saúde formalizar o pedido de cirurgia junto a Regional de Saúde, esta encaminha para a SESA em Curitiba, que vai aprovar ou não. “Os pacientes que estiverem aptos o hospital encaminha uma AIH (autorização de internação hospitalar) e a Regional de Saúde confere a documentação e encaminha à SESA e lá eles liberam. Aí o paciente pode operar”, explicou a chefe da 12ª RS, Viviane Herrera.
Até o fechamento da matéria a Regional de Saúde não informou a quantidade de pacientes com indicação de cirurgia ou que sofre com a obesidade crônica.
DADOS NACIONAIS
No ano passado, foram feitas no Brasil 68.530 cirurgias bariátricas, 7% a mais do que no ano anterior, que registrou 63.969 procedimentos desse tipo, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Na saúde pública, houve 12.568 cirurgias bariátricas em 2019 – um crescimento de 10,2%, se comparado a 2018. Na saúde suplementar, por meio de planos de saúde, foram realizadas 52.699 cirurgias bariátricas, com aumento de 6,4% em relação a 2018. Já entre as cirurgias particulares, pagas integralmente pelos pacientes, foram feitos 3.263 procedimentos no país.
2020
Até agora, os dados de 2020 foram divulgados apenas pela saúde pública. Entre janeiro e junho deste ano, foram realizadas 2.859 cirurgias. Em 2019, no mesmo período, já tinham sido feitas 5.382 operações desse tipo pelo SUS. Segundo a SBCBM, a queda se deve à suspensão das cirurgias eletivas com o início da pandemia de covid-19.
OBESIDADE
O total de cirurgias feitas em 2019 atendeu a 0,5% da população de portadores de obesidade grave, que atinge cerca de 13,6 milhões de pessoas no país, informou a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.
“O único tratamento comprovadamente eficaz a longo prazo para a obesidade e doenças associadas a ela como, por exemplo, o diabetes e a hipertensão, é praticamente inacessível para pessoas que dependem do sistema público e dos planos de saúde”, avaliou o presidente da Sociedade, Marcos Leão Vilas Boas.
Atualmente, o SUS oferece 85 serviços de assistência de alta complexidade à atenção ao indivíduo com obesidade em 22 das 27 unidades federativas.
POLÍTICAS PÚBLICAS
O médico Fábio de Carvalho defende a prevenção da obesidade através de políticas públicas que comecem ainda na infância e na adolescência. “Hoje não estamos atacando a causa do problema e precisamos fazer isso”, afirmou.
Jornal Umuarama Ilustrado
Redação: Renata Schaphauser
Fotos Dr. Fábio: Roberto Santos
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