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Os recém-nascidos apresentam fortes respostas comportamentais, fisiológicas e corticais a procedimentos que danificam os tecidos
Foto: Divulgação
Segundo o estudo The impact of parental contact upon cortical noxious-related activity in human neonates, publicado no European Journal of Pain, o contato pele a pele realizado por um dos pais reduz a intensidade com que o cérebro do RN responde à dor.
Os recém-nascidos (RN) apresentam fortes respostas comportamentais, fisiológicas e corticais a procedimentos que danificam os tecidos. O contato parental pode regular com sucesso a reatividade comportamental e fisiológica geral do bebê, mas não se sabe se pode influenciar a atividade nociva no cérebro. Esse estudo foi motivado pelo fato de que a atividade cerebral é altamente dependente da presença materna em modelos animais e, portanto, este poderia ser um importante fator contextual na atividade cerebral relacionada à dor do bebê humano.
A análise topográfica global foi usada para identificar a presença e diferenças intergrupos em atividades nocivas relacionadas em três contextos parentais separados. Foram incluídos 27 RN (12 do sexo feminino), com idades entre 0 e 96 dias e nascidos no University College London Hospitals com idades gestacionais (IG) entre 23 e 41 semanas.
Nenhum bebê apresentava qualquer sinal clínico de encefalopatia hipóxica isquêmica. Foram excluídos RN com hemorragia intraventricular > grau 2 ou leucomalácia periventricular. Os RN foram divididos em três grupos (n = 9 cada) com base no tipo de contato (pele-a-pele, segurado com roupa ou submetidos a cuidados individualizados no berço). A proporção do sexo, IG ao nascimento e idade pós-natal não diferiram significativamente entre os grupos.
Os RN foram submetidos a coleta de sangue por meio do uso de lancetas no calcanhar. Todas essas coletas foram realizadas pela mesma enfermeira treinada, usando uma lanceta descartável, e a prática hospitalar padrão foi seguida em todos os momentos.
O EEG foi registrado durante uma punção do calcanhar (clinicamente exigida) nos três grupos de neonatos de mesma idade e sexo (a) enquanto segurado por um dos pais no contato pele-a-pele (n = 9), (b) enquanto segurado por um dos pais com roupas (n = 9) ou (c) não segurado de forma alguma, mas em atendimento individualizado na incubadora (n = 9).
A lanceta desencadeou uma sequência de 4 a 5 potenciais relacionados a eventos (event-related potential – ERPs), incluindo o ERP nocivo (nERP), que era menor para bebês segurados pele-a-pele e maior para bebês segurados com roupas (p = 0,016).
O nERP foi então seguido por ERPs de longa latência adicionais e divergentes (> 750 ms pós-lanceta), não descritos anteriormente, em cada um dos grupos, sugerindo o envolvimento de diferentes processos corticais de nível superior dependendo do contato parental.
Resultados
Os resultados desse estudo mostram que o contexto do binômio mãe/bebê pode modular a magnitude da atividade cerebral relacionada a doenças nocivas após um procedimento de punção do calcanhar exigido clinicamente, o que a chama a atenção sobre a importância dos fatores ambientais na alteração do processamento de estímulos nocivos em RN.
Os ERPs de latência mais longa dependem das circunstâncias entre mãe e RN e sugere que o processamento de nível mais alto do estímulo nocivo é alterado. Portanto, esse estudo destaca a importância de considerar fatores contextuais na determinação da atividade cerebral infantil e revelam a poderosa influência do contato dos pais sobre a atividade nociva relacionada ao desenvolvimento do cérebro humano.
De acordo com os pesquisadores, a relevância desse estudo é que foi observado que a forma como o cérebro do RN processa um estímulo nocivo é alterada pelo tipo de contato que o bebê tem com a mãe. Dessa forma, de forma específica, o contato pele-a-pele reduz a magnitude da atividade cortical relacionada a doenças.
Autora: Roberta Esteves Vieira de Castro
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