Terça-feira, 17 de março de 2026 Login
Umuarama passa a integrar oficialmente o mapa da alta complexidade em oftalmologia no Paraná. O Instituto Ofta foi habilitado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar transplantes de córnea — procedimento até então inexistente na cidade e em toda a região Noroeste do Estado.
O Instituto Ofta, fundado e mantido pelos oftalmologistas Dr. Augusto Legnani Neto e Dr. Paulo Igor Rauen conta com a estrutura física e profissional do Hospital Oftalmológico Ofta Vitta. A habilitação é resultado de um processo técnico que envolveu investimentos estruturais, aquisição de equipamentos de alta tecnologia e capacitação especializada da equipe multiprofissional.
Até agora, pacientes da região eram encaminhados para centros como Londrina para realizar o procedimento e o acompanhamento clínico periódico exigido pelo protocolo de transplantes.
Impacto direto na rotina dos pacientes
Para o oftalmologista Dr. Augusto Legnani Neto, a mudança altera de forma significativa o percurso do paciente na fila de transplante.
“Na prática, isso muda muita coisa. Quando você entra na lista de transplante, precisa manter seus exames ativos. O paciente tinha que realizar exames, consultas e acompanhamentos a cada três meses, além do acompanhamento pós-cirúrgico em outra cidade. Agora esse paciente vai ficar aqui em Umuarama. Vai acelerar porque vai ficar fácil para o paciente entrar na fila e fazer todo o acompanhamento.”
A descentralização reduz custos, deslocamentos frequentes e o desgaste físico e emocional de quem já enfrenta uma condição que compromete a visão.
Combate à cegueira e fortalecimento do SUS
O oftalmologista Dr. Paulo Igor Rauen destaca o caráter social da habilitação.
“O Instituto Ofta é uma empresa sem fins lucrativos, que atende 100% na esfera SUS. A liberação para a realização do transplante de córnea vem num momento em que esse procedimento nunca foi feito na nossa região. Fazer um tratamento de córnea de forma definitiva é mais um instrumento do instituto para combater a cegueira.”
Segundo ele, as duas principais causas que levam ao transplante são o ceratocone, doença que provoca deformação progressiva da córnea, e as úlceras corneanas, geralmente associadas a infecções que comprometem a transparência ocular.
Rauen também ressaltou que o credenciamento exigiu preparo técnico rigoroso.
“Não podemos esquecer da parte técnica que foi necessária até a vinda do credenciamento, tanto na estrutura física quanto na preparação da equipe.”
Avaliações já começaram
O trabalho de avaliação e seleção de pacientes já está em andamento. A expectativa da equipe é que o primeiro transplante de córnea realizado em Umuarama aconteça ainda este ano, consolidando a nova etapa da oftalmologia regional.

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