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Black Friday na Saúde: quando o desconto ultrapassa o limite da responsabilidade

Publicado em 24/11/2025 às 16:28 por Editoria Movimento Saúde

A Black Friday, já consolidada como uma das datas mais movimentadas do calendário comercial brasileiro, tem avançado para áreas que exigem cautela redobrada. O fenômeno, antes restrito ao varejo, agora permeia serviços ligados diretamente ao cuidado com a vida. Clínicas odontológicas, centros de estética, dermatologistas, cirurgiões plásticos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, oftalmologistas, academias, estúdios de pilates e, mais recentemente, laboratórios de análises clínicas têm utilizado a data para anunciar descontos e pacotes promocionais, atraindo pacientes com promessas de economia e vantagens exclusivas.

À primeira vista, a estratégia parece apenas uma adaptação natural ao comportamento do consumidor. Contudo, quando analisada sob a ótica da ética, da segurança e da responsabilidade que envolvem o cuidado em saúde, revela riscos que precisam ser compreendidos por todos — pacientes, profissionais e instituições.

Em saúde, decisões não podem ser tomadas por impulso. Cada consulta, exame ou procedimento exige avaliação técnica, diagnóstico criterioso, estrutura adequada, materiais de qualidade e responsabilidade profissional devidamente regulamentada. Quando serviços essenciais passam a ser ofertados em formato de “oportunidade imperdível”, “combo promocional” ou “desconto relâmpago”, cria-se um ambiente que favorece escolhas inadequadas, muitas vezes distantes da real necessidade clínica do paciente.

A legislação e os códigos de ética de cada profissão reforçam essa preocupação. O Código de Ética Médica, o Código de Ética Odontológica, as resoluções dos conselhos de Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Enfermagem, Fonoaudiologia, Biomedicina e demais áreas da saúde estabelecem limites claros para a publicidade, proibindo apelos sensacionalistas, promessas de resultados, comparações comerciais e práticas que banalizem o cuidado. Laboratórios de análises clínicas, que lidam diretamente com dados sensíveis e exames que servem de base para diagnósticos, também devem seguir normas rígidas que garantem precisão, confiabilidade e qualidade técnica — fatores incompatíveis com a lógica de grandes liquidações.

O risco para o paciente é real. No caso de procedimentos estéticos, a Compra por impulso pode levar à realização de intervenções sem indicação adequada. Em consultas médicas ou odontológicas, promoções agressivas podem resultar em tempo de atendimento reduzido, menor profundidade na anamnese e escolhas apressadas. Nos laboratórios, onde a precisão é fundamental para diagnósticos, descontos exagerados podem levar a cortes de custo que impactam insumos, equipamentos ou processos de controle de qualidade, criando margem para resultados equivocados — o que, na saúde, jamais deve ser tolerado.

Para os profissionais e clínicas, o prejuízo também é significativo. Descontos sem planejamento comprometem a sustentabilidade financeira, desvalorizam o serviço, atraem pacientes que só retornam diante de novas promoções e corroem a credibilidade institucional. A saúde não pode ser guiada pelos mesmos mecanismos do varejo, pois envolve responsabilidade técnica, risco clínico, protocolos, materiais específicos, equipe qualificada e acompanhamento contínuo. Nenhuma dessas etapas pode ser comprimida para atender ao ritmo frenético da temporada de descontos.

Isso não significa que instituições sérias não possam utilizar a Black Friday de forma responsável. Há alternativas éticas, seguras e alinhadas ao propósito de cuidado, como campanhas educativas, check-ups preventivos cuidadosamente estruturados, palestras de orientação, facilidades de pagamento, programas de fidelização baseados em relacionamento e ações voltadas à promoção da saúde e bem-estar. O que não se pode fazer é transformar exames, consultas e procedimentos em produtos sujeitos a impulsos de compra.

Ao paciente, cabe a reflexão e o alerta: quando se trata da própria saúde, o preço não pode ser o principal parâmetro de escolha. Avaliar a credibilidade da instituição, a formação dos profissionais, a estrutura oferecida e o compromisso ético deve vir sempre antes de qualquer vantagem financeira. Em especial no caso dos laboratórios, onde a interpretação de um exame pode definir condutas médicas importantes, é fundamental priorizar qualidade, precisão e confiabilidade acima de qualquer oferta.

A mensagem central permanece: saúde não é liquidação. Promoções podem movimentar o comércio, mas o cuidado exige responsabilidade, critério e ética. A Black Friday passa; a integridade física, o bem-estar e a segurança das pessoas permanecem. Cabe aos serviços de saúde agir com prudência e compromisso, e aos pacientes, escolher com consciência. Assim, preserva-se o que há de mais valioso: a confiança, a vida e a dignidade humana.

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