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No Brasil, 57% dos nascimentos são derivados de cesarianas.

Foto: O Bendito

Índice de cesarianas não deveria ser maior que o de partos normais, afirma enfermeira

Publicado em 03/06/2019 às 17:00
O Brasil é o segundo país com o maior número de cesáreas do mundo, conforme os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados em 2018. Mesmo que a OMS recomende que se tenha no máximo 15% de nascimentos sendo derivados de cesarianas, o índice do país chega a 57%. 
 
Em Umuarama, a situação não é diferente. De acordo com a enfermeira obstetra e coordenadora da maternidade regional, Amanda Vasques, aproximadamente 100 cesáreas são feitas por mês e 80 partos normais, o que vem causando preocupações nos profissionais de saúde.
 
Trabalho de reversão
 
Com o alto índice de cesáreas feitas no hospital Norospar, a coordenação da maternidade está realizando palestras para incentivar as mães a optar pelo parto normal, mostrando a elas os benefícios desse tipo de procedimento e em quais situações que é recomendável realizar as cesarianas. Esses encontros são feitos em todas as segundas-feiras com as gestantes atendidas pela instituição.
 
“Essas mães precisam entender que as cesáreas devem ser feitas em situações específicas. O que acontece é que quando fazem o pré-natal já marcam junto com o médico uma data estipulada para a realização do parto e acreditam que não se pode passar daquele dia. Mas, o ideal é esperar que a criança dê sinais de nascimento, porque a cesariana é uma cirurgia e, como qualquer procedimento cirúrgico, os riscos para a mãe e o bebê são enormes”, sustenta a enfermeira.
 
Com os esforços da maternidade, Amanda ressalta que o índice de partos normais na instituição vem aumentando nos últimos cinco anos. “O Hospital está preparado com camas PPP (Pré-parto, parto e pós-parto), chuveiros, banquetas de parto e bola suíça. Além disso, possibilitamos que um acompanhante fique com a mulher no processo PPP, fornecendo o apoio necessário”, conta Amanda.
 
Segundo a enfermeira, o trabalho da maternidade é voltado a promover o parto humanizado, que consiste em respeitar os direitos e escolhas da gestante. “Por exemplo, ela pode escolher se quer ganhar o nenê na banqueta, sentada na cama, semi-deitada, de cócoras ou no chuveiro. O acompanhante pode estar com ela em todo o processo também, a partir das escolhas dela. O nosso intuito é possibilitar que a mulher seja protagonista do parto, tendo a missão de fazer com que não seja uma experiência traumática para ela”, ressalta a enfermeira.
 
Franciele Jardim foi uma das gestantes que teve um parto normal recentemente na instituição. A mulher, de 29 anos, é mãe de primeira viagem e conta que estava com medo antes do procedimento. “Eu tinha receios da dor, mas não quis optar pela cesárea porque a recuperação da cirurgia é mais demorada. Escolhi fazer o parto deitada na cama, porque considero mais confortável e até que não foi tão ruim quanto eu esperava. A dor eu tive, sim, é inevitável, achei até que não conseguiria, mas me incentivaram a todo o momento a ter forças para ganhar a minha filha e, assim que ganhei, cessou a dor”, relata a mãe, que percebeu que a criança queria nascer quando o tampão mucoso foi expulso de seu corpo.
 
Parto normal x Cesariana
 
O parto normal é aquele em que o bebê nasce naturalmente por via vaginal sem a intervenção de um procedimento cirúrgico. De acordo com a OMS, o método é mais benéfico tanto para a mãe quanto para o bebê. Na mulher há mais chances de melhor recuperação, menos riscos de infecções, menor risco de hemorragia e necessidade de menos remédios para o procedimento, facilitando a reprodução do leite materno. No bebê, há uma maior probabilidade de uma melhor respiração e de aumento da imunidade.
 
“Outro fato importante de se ressaltar é que o parto normal possibilita que a mãe e o bebê fiquem em contato pele a pele na primeira hora após o parto. Isso promove o afeto entre os dois e faz com que o bebê não perca o calor de seu corpo”, diz a coordenadora da maternidade.
 
Com relação à cesariana, a OMS indica que, quando feita, há maior risco de infecção, hemorragia, trombose, recuperação mais prolongada, maior risco de problemas respiratórios no bebê e maior probabilidade de ruptura uterina.
 
No entanto, a OMS também orienta que em alguns casos as cesarianas devem ser realizadas, como as situações que envolvem eclâmpsia (convulsões), incidência de diabetes ou hipertensões nas mulheres, feto GIG (maior do que o normal), posição errada do bebê, placenta prévia, parto cesariano recente (em menos de dois anos), trabalho de parto prematuro, ou alteração fetal (como má formação ou sofrimento do bebê).
 
“Além dessas situações indicadas pela OMS a mulher deve ter em mente que é importante esperar que a criança nasça conforme a vontade dela, sem forçar um nascimento que não está programado e se submetendo a uma cirurgia em que a mulher também não está preparada. A cesariana veio para salvar vidas, para reduzir a mortalidade materna e infantil, mas ela não pode ser preponderante ao parto normal”, afirma a enfermeira.
 
Serviço
 
Atualmente 21 municípios são atendidos pela maternidade do Norospar. Na instituição há quatro enfermeiras obstetras e seis médicos que auxiliam no procedimento do parto normal, sem a necessidade de gastos individuais, já que a maternidade é pública. Para mais informações, acione o telefone da entidade pelo número (44) 3621-1299.
 
Fonte: O Bendito
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