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“Xenotransplante veio para ficar”, diz médico que ajudou a revolucionar a cirurgia cardíaca no Brasil

Publicado em 15/01/2022 às 11:08 por Editoria Movimento Saúde

Muito além de um ato heroico, o transplante de coração suíno em um homem realizado nos Estados Unidos no início desta semana, é considerado um marco histórico e pode significar a nova evolução da cirurgia cardíaca. No Brasil, o Dr. Francisco Gregori, cirurgião renomado pela criação de dispositivos cardíacos largamente utilizados em todo o mundo, considera que a utilização do coração de porco geneticamente modificado pode ser uma alternativa para diminuir a fila de espera para transplantes.

“O xenotransplante é uma técnica que veio para ficar. Não foi apenas um ato heroico, que salvou uma vida por um tempo. Foi possível porque atrás disso tem um laboratório e anos de pesquisa. Esses porcos são geneticamente modificados e preparados para evitar a rejeição”, disse o Dr. Gregori.

O transplante com o coração de porco foi realizado em Baltimore, nos Estados Unidos, na última terça-feira (11). Na manhã deste sábado (15), o quadro do paciente David Bennett, de 57 anos continua evoluindo bem. O paciente era portador de doença cardíaca em fase terminal, sem perspectiva de tratamento e considerado inelegível para transplante humano, dada a sua condição debilitada.

O quadro de saúde de David Bennett continua evoluindo bem

Na história da medicina existem outros registros de transplante cardíaco utilizando animais. Em 1983 Dr. Cristian Barnart realizou o primeiro transplante utilizando o coração de um babuíno descrito na medicina. O paciente viveu alguns dias e faleceu. Depois a técnica foi repetida algumas vezes, inclusive em uma criança. Contudo, com prognósticos de sobrevida tão curtos as pesquisas não evoluíram com a espécie. 

As perspectivas para a técnica utilizando suínos são mais otimistas. Segundo o Dr. Gregori, o porco é o animal cardiologicamente mais parecido com ser humano. O fato de existirem raças de vários portes é outro diferencial do animal apontado pelo especialista.

“Acredito que a técnica veio para sempre. O Dr. Bartley Griffith teve a ousadia de fazer isso. E na medicina, para salvar vidas muitas vezes é preciso ser ousado”, ressalta o cirurgião, que entende muito bem de ousadia. Em 1996, o Dr. Gregori para salvar a vida de uma paciente durante uma cirurgia, aplicou cola sintética-cianoacrilato, a popular ‘Super Bonder’, o que estancou um sangramento importante, que poderia tê-la levado à morte. A paciente faleceu somente em 2011, ou seja, 15 anos após a cirurgia. O procedimento foi considerado um ato heroico. Atualmente as colas sintéticas foram aperfeiçoadas e passaram a ser largamente empregadas em diversos tipos de cirurgia. 

 É SÓ O COMEÇO 

A autorização especial das autoridades de saúde dos EUA para a inovação de usar órgãos de animais abriu a oportunidade de os cirurgiões do Centro Médico da Universidade de Maryland realizarem a operação que salvou a vida de Bennett e abriu a possibilidade para a evolução da técnica.

Griffith e Muhammad M. Mohiuddin, professor de cirurgia da Faculdade de Medicina de Maryland, em Baltimore, explicaram que o suíno usado no transplante foi geneticamente modificado para eliminar vários genes que teriam levado o órgão a ser rejeitado pelo corpo humano.

Para evitar a resposta imune é usada a edição genética que, neste caso, nocauteia genes do porco responsáveis pela rejeição no humano. Além disso, adiciona genes humanos responsáveis pela aceitação imunológica. A universidade informou que os médicos cientistas também usaram uma nova droga junto com as demais antirrejeição convencionais.

"É só o começo. A técnica pode salvar milhares de vidas em todo o mundo. Somente nos EUA, mais de 100 mil pessoas esperam por um transplante de coração e não há doadores para todos. O xenotransplante é uma esperança para esses pacientes”, finalizou o Dr. Gregori. 

Rosi Rodrigues

Jornalista

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