Publicado em 23/11/2025 às 15:30 por Editoria Movimento Saúde
Com a chegada do fim do ano muitas pessoas começam a avaliar seu desempenho durante o ano, quais metas foram alcançadas, o que foi bom ou ruim. Além disso, a correria do período com compra de presentes, organização das comemorações do Natal e Ano Novo, encontros com amigos e familiares, pode provocar uma alta carga de estresse emocional, desencadeando crises ansiosas ou depressivas.
Para pessoas que já lidam com desafios relacionados à saúde mental, o período pode ser ainda mais delicado, reforçando a importância de se organizar e desenvolver estratégias para lidar com a sobrecarga.
Segundo Carla Salcedo, neuropsicanalista e especialista em saúde emocional, a proximidade das festas de fim de ano pode despertar um sentimento melancólico por diferentes razões. “Algumas pessoas vivenciam a chamada síndrome de fim de ano, caracterizada pelo aumento de sentimentos como tristeza, ansiedade e solidão durante esse período”, explica.
Esse estado emocional tende a se intensificar em dezembro, mês que simboliza o encerramento de ciclos e estimula reflexões pessoais. “Embora seja uma reação comum, quando esses sentimentos ganham intensidade e começam a interferir no bem-estar, podem se tornar gatilhos para quadros depressivos”, reforça Carla.
A depressão pode se agravar por questões como luto e problemas com a família, seja pelo fato de estar longe de parentes queridos ou por não querer estar junto de um núcleo familiar desunido que só se reúne para manter as aparências. “Famílias desagregadas que se encontram na época das festas trazem à tona sentimentos que foram deixados de lado ao longo do ano. Aí é preciso lidar com a frustração de não ter uma família unida”, afirma a psicóloga Dra. Cristiane Pertusi, Presidente da ABRATEF – Associação Brasileira de Terapia Familiar.
Para quem já convive com a ansiedade, o acúmulo de demandas profissionais e pessoais — somado aos compromissos típicos do período, como encontros de fim de ano com colegas de trabalho, amigos e cursos — pode intensificar o desconforto. Além disso, os preparativos para as festas, que envolvem compra de presentes, organização de ceias, almoços e diversos outros detalhes, costumam elevar ainda mais a sobrecarga emocional.
“A falta de um planejamento prévio transforma situações simples em desafios para o controle da ansiedade. Por outro lado, também é comum que algumas pessoas planejem em excesso, iniciando os preparativos muito antes e experimentando o estresse antecipadamente”, complementa Cristiane.
8 dicas para amenizar a melancolia
Tome sol: passe mais tempo ao ar livre durante o dia, pois se expor a luz solar ajuda a aumentar a Vitamina D, cortisol e dopamina, que melhoram o humor, a energia e a função do sistema imunológico.
Não reprima as emoções: Chore se for preciso, pois a tristeza precisa ser sentida e reprimir as emoções pode prolongar o estágio de melancolia. E tenha em mente que deve ser um momento passageiro.
Equilibre suas expectativas: Foque em momentos simples e significativos, aceite que nem tudo será perfeito e evite as comparações.
Momentos de autocuidado e relaxamento: durma bem, se alimente de forma equilibrada, faça exercícios físicos, e reserve um tempo para fazer coisas que gosta. Esses momentos ajudam seu corpo a liberar substâncias químicas que combatem a tristeza.
Socialize: Encontre amigos e participe de eventos sociais quando possível, mesmo que seja de forma remota. Converse, viva o momento e equilibre suas emoções.
Faça o bem: Procure organizações e voluntários que fazem campanhas para ajudar quem precisa. Presenteie crianças carentes, doe o que não usa mais ou um pouco do seu tempo.
Tente planejar o próximo ano: Pense nas metas e desejos para realizar no próximo ano, mas não se sinta pressionado. Faça em um momento mais tranquilo e quando estiver preparado.
Procure apoio profissional: Faça acompanhamento psicológico ou com terapeuta, principalmente se os sintomas de fim de ano persistirem.