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As evidências científicas até o momento apontam um benefício real do uso de máscaras faciais, como forma de controle da pandemia

Foto: Divulgação

Quais são as evidências científicas sobre uso de máscaras faciais em crianças?

Publicado em 25/02/2021 às 09:24

Desde o início da pandemia de Covid-19, muito se tem falado a respeito do uso de máscaras faciais como modo de reduzir a transmissão do vírus. As evidências científicas até o momento apontam um benefício real do uso de máscaras faciais, como forma de controle da pandemia. Porém, quando falamos do uso de máscaras faciais em crianças, as informações parecem mais desencontradas.

Enquanto alguns protocolos orientam o uso desse artefato, outros sugerem o uso apenas em crianças maiores, que podem entender a necessidade e a melhor forma de uso. Dessa forma, são necessários mais estudos que possam avaliar o real impacto do uso de máscaras faciais em crianças, como forma de mitigar a transmissão viral do SARS-CoV-2.

De forma ainda mais preocupante, inúmeras fake news reportando eventos adversos com uso de máscaras faciais, inclusive em crianças, têm sido disseminadas e levando diversos pais e profissionais responsáveis pelos cuidados pediátricos a se questionarem sobre a eficácia e segurança do uso desses aparatos. Somada a isso, a falta de evidências científicas suportando o uso das máscaras em crianças traz mais insegurança para todos.

Novo estudo sobre uso de máscaras e crianças

Um trabalho realizado por pesquisadores austríacos e submetido à revista Acta Paediatrica, já aceito, mas ainda não publicado, tenta lançar mais luzes a respeito desse tema. O trabalho, intitulado “The impact of face masks on children – a mini review”, traz uma revisão de artigos com essa temática. Como os artigos relacionados à população pediátrica são escassos, foram incluídos também artigos sobre o uso de máscaras na população adulta.

São dez estudos, sendo dois na população pediátrica e oito na população adulta. Os estudos realizaram avaliações de aspectos fisiológicos como saturação de oxigênio, frequência cardíaca, frequência respiratória, dióxido de carbono expirado, pressão parcial de oxigênio e dióxido de carbono. Alguns estudos realizaram comparações entre pessoas usando máscaras e outras sem uso da máscara (grupo controle). Além disso, estudos também avaliaram percepções subjetivas de desconforto com uso, tanto com máscaras cirúrgicas quanto com máscaras tipo N95.

Resultados

O estudo, citado claramente pelos autores como uma mini revisão, identificou um enorme “gap” com relação ao conhecimento sobre uso de máscaras faciais na faixa etária pediátrica. Os estudos incluídos são muito heterogêneos e realizaram avaliações em períodos curtos, que não são os habituais, quando do uso de máscaras em situações cotidianas, como durante o período escolar, por exemplo.

Apesar disso, os estudos incluídos não demonstraram danos potenciais para crianças e adultos em uso de máscaras faciais. Sendo assim, devido à situação pandêmica atual e pelos altos índices de contágio de Covid-19, a recomendação ainda é uso de máscaras faciais em crianças. É imprescindível, no entanto, a realização de mais estudos voltados para o tema, principalmente na população pediátrica.

Autora: Dolores Henriques - Médica formada pela UNIRIO ⦁ Residência médica em pediatria pelo HUPE/UERJ ⦁ Médica concursada do Ministério da Educação (Colégio Pedro II e CEFET-RJ) ⦁ Tem experiência nas áreas de Terapia Intensiva Pediátrica, Pediatria Geral e Medicina de Urgência.

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