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Somando-se todos casos que ocorrem até os 19 anos de idade, no mundo, são 319.840 novos diagnósticos por ano

Foto: Divulgação

A doença que mais mata crianças e adolescentes no Brasil

Publicado em 17/09/2020 às 15:51 por Cléo Neres

Isoladamente, cada tipo de câncer infanto-juvenil é raro. De acordo com um levantamento feito pela Global Cancer Observatory, uma plataforma da OMS (Organização Mundial de Saúde), somando-se todos casos que ocorrem até os 19 anos de idade no mundo são 319.840 novos diagnósticos por ano, representando cerca de 2% da incidência mundial em todas as faixas etárias.

O câncer é a maior causa de morte não violenta de crianças e adolescentes no mundo. Só no Brasil, são 2.565 mortes anuais, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

A doença costuma ser diferente em crianças e adolescentes

 O câncer infanto-juvenil, na maioria dos casos, tem um comportamento biológico diferente da doença em adultos. Os tumores na infância são de origem embrionária, enquanto o câncer em adultos tem forte influência da interação com os carcinógenos no ambiente, que promovem mutações somáticas (alterações que se acumulam ao longo da vida).

"Na criança, o câncer, geralmente, tem como fator de desenvolvimento o resultado de alterações no DNA (gene) das células, que ocorrem muito precocemente, às vezes até antes do nascimento, e provocam a multiplicação celular de forma desordenada", destaca a médica patologista Isabela Werneck da Cunha, vice-presidente para assuntos acadêmicos da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia) e coordenadora médica da equipe de patologia da Rede D'OR São Luiz, em São Paulo.

Como são feitos os diagnósticos

 De acordo com o Inca, 8 entre 10 crianças e adolescentes diagnosticados com câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. "O papel do médico patologista é essencial nesse processo, sendo ele o responsável por identificar cada tipo de tumor e fazer o estadiamento, que é a definição do grau de agressividade e das características da doença", comenta Werneck.

Entre os exames que o médico patologista pode analisar e laudar estão: biópsias —fragmentos de tecido ou órgão são retirados; punções aspirativas —células do sítio do tumor e líquidos de cavidades; peças cirúrgicas —amplas ressecções de lesões ou órgãos; imunohistoquímica —utilização de anticorpos contra antígenos específicos; patologia molecular —pesquisa de biomarcadores indicativos das doenças; entre outros.

Quais os tratamentos mais comuns

De acordo com a médica oncopediatra da Rede D'OR São Luiz, Viviane Sonaglio, o tratamento do câncer infantojuvenil consiste em quimioterapia, radioterapia e cirurgia, que podem ser adotados isoladamente ou em combinação. "A definição da melhor abordagem terapêutica é feita por um time multidisciplinar, que contempla o médico patologista, radiologista, dentre outros especialistas em tumores pediátricos", contextualiza Viviane.

No geral, os pacientes respondem bem à quimioterapia. A radioterapia é indicada para tratar tumores sólidos, mas também pode ser utilizada em casos de leucemias e linfomas. A cirurgia é indicada principalmente para casos selecionados de neuroblastoma, tumor de Wilms, osteosarcomas, assim como tumores hepáticos (fígado) e sarcomas.

"O cirurgião faz parte do cuidado da criança com câncer desde o momento da biópsia para o diagnóstico até nas cirurgias mais extensas das quais depende a cura do paciente. Elas podem ser realizadas por modalidade aberta, laparoscópica ou laparoscópica com assistência robótica. A escolha por cada técnica dependerá da extensão, localização, envolvimento de estruturas nobres, além de outros aspectos biológicos da doença e clínicos do paciente", detalha a cirurgiã e líder da cirurgia pediátrica do A.C.Camargo Cancer Center, Maria Lúcia de Pinho Apezzato.

Com a alta taxa de cura, muitos pacientes com câncer na infância são sobreviventes a longo prazo. "É fundamental que eles sejam acompanhados por uma equipe especializada e multidisciplinar, para que sejam identificados quaisquer sinais e sintomas relacionados ao tratamento recebido na infância ou adolescência, de tal forma que possamos manter este paciente produtivo e com ótima qualidade de vida mesmo que 20, 30, 40 ou mais anos após o tratamento ao qual ele foi submetido", destaca Sonaglio.

 

Fonte: Viva Bem/Uol

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