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Segundo estudo, mudança climática pode facilitar a disseminação de doenças fúngicas que ainda nem conhecemos

Foto: Melissa Golden/The New York Times

Fungo fatal que chegou à América do Sul se tornou mais resistente por conta do aquecimento global

Publicado em 31/07/2019 às 14:22
WASHINGTON — O aquecimento global pode ter tido um papel fundamental na disseminação de um fungo resistente a diversos medicamentos, o Candida auris, pelo planeta. Segundo um estudo publicado na "mBio", uma revista da Sociedade Americana de Microbiologia, o microorganismo, que é uma amaeaça à saúde pública, pode ser o primeiro exemplo de uma nova doença que surge da mudança climática.
 
Para o pesquisador responsável pelo trabalho, "o aquecimento global pode levar a novas doenças fúngicas que nem conhecemos agora".
 
— Nosso argumento, com base na comparação com fungos parentes, é que, como o clima ficou mais quente, alguns desses organismos, incluindo Candida auris, se adaptaram à temperatura mais alta e, à medida que se adaptam, romperam a barreira protetora humana — afirma Arturo Casadevall, especialista em Imunologia da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, em Maryland, nos EUA.
 
O fungo, descoberto em 2009, emergiu em três continentes simultaneamente, sendo que, em cada um deles, geneticamente distinto — e os isolados da Índia, África do Sul e América do Sul não estão relacionados. Ele atinge pessoas com o sistema imunológico debilitado e pode causar diversos tipos de infecção e ate a morte. Casos recentes foram registrados nos Estados Unidos.
 
Até agora, não estava claro o que estaria por trás da disseminação do fungo pelo mundo. Os pesquisadores foram atrás disso quando surgiu a possibilidade de a causar estar nas mudanças climáticas.
 
— As razões pelas quais as infecções fúngicas são tão raras em humanos é que a maioria dos fungos no ambiente não pode crescer à temperatura ou ao nosso corpo — afirmou Casadevall.
 
A resistência de mamíferos a doenças fúngicas invasivas resulta de uma combinação de altas temperaturas basais (do organismo) que criam uma zona de restrição térmica e mecanismos avançados de defesa do hospedeiro na forma de imunidade.
 
No novo estudo, os pesquisadores compararam a suscetibilidade térmica de C. auris a alguns de seus parentes. Os pesquisadores descobriram que o fungo é capaz de crescer a temperaturas mais altas do que a maioria de suas espécies próximas.
 
De acordo com Casadevall, o que o estudo sugere é que este é o "começo dos fungos que se adaptam a temperaturas mais altas", e que haverá cada vez mais problemas relacionados a isso com o passar do tempo.
 
— O aquecimento global levará à seleção de linhagens fúngicas mais tolerantes termicamente, de tal forma que possam romper a zona de restrição térmica dos mamíferos — pontua, acrescentando que é preciso investir na vigilância de doenças fungicas assim como é feito com outras enfermidades.
 
Fonte: O Globo
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