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Todos os países enfrentam grandes desafios para garantir que seus sistemas sociais e de saúde estejam prontos para aproveitar ao máximo essa mudança demográfica.  

Foto: Impact Photography/Shutterstock.com

Envelhecimento e saúde

Publicado em 17/05/2019 às 10:54 por Rosi Rodrigues
  • Entre 2015 e 2050, a proporção da população mundial com mais de 60 anos quase dobrará de 12% para 22%.
  • Em 2020, o número de pessoas com 60 anos ou mais será superior ao de crianças com menos de cinco anos.
  • Em 2050, 80% das pessoas idosas viverão em países de baixa e média renda.
  • O ritmo de envelhecimento da população é muito mais rápido do que no passado.
  • Todos os países enfrentam grandes desafios para garantir que seus sistemas sociais e de saúde estejam prontos para aproveitar ao máximo essa mudança demográfica.  

fs ageinghealth

Pessoas em todo o mundo estão vivendo mais. Pela primeira vez na história, a maioria delas pode esperar viver 60 anos ou mais. Em 2050, espera-se que a população mundial com 60 anos ou mais chegue a 2 bilhões, em contraponto aos 900 milhões em 2015. Atualmente, 125 milhões de pessoas têm 80 anos ou mais. Em 2050, haverá 120 milhões vivendo apenas na China e 434 milhões de pessoas nesta faixa etária em todo o mundo. Em 2050, 80% de todos as pessoas idosas viverão em países de baixa e média renda.  

O ritmo de envelhecimento da população em todo o mundo também está aumentando drasticamente. A França teve quase 150 anos para se adaptar a uma mudança de 10% para 20% na proporção da população com mais de 60 anos. No entanto, países como o Brasil, China e Índia terão pouco mais de 20 anos para fazer a mesma adaptação.

Embora esta mudança na distribuição da população de um país em relação ao envelhecimento das pessoas tenha começado em lugares de alta renda (no Japão, por exemplo, 30% da população já tem mais de 60 anos), agora são os países de baixa e média renda que estão experimentando a mudança em um nível maior. Em meados do século, muitos países (Chile, China, República Islâmica do Irã e Federação Russa) terão uma proporção semelhante de pessoas idosas à do Japão.

Uma vida mais longa traz consigo oportunidades, não só para as pessoas idosas e suas famílias, mas também para as sociedades como um todo. Anos de vida adicionais fornecem a possibilidade de buscar novas atividades, tais como mais educação, uma nova carreira ou viver uma longa paixão negligenciada. As pessoas idosas também contribuem de muitas formas para suas famílias e comunidades. No entanto, a extensão dessas oportunidades e dessas contribuições depende muito de um fator: a saúde.  

Há, entretanto, poucas evidências para sugerir que as pessoas idosas de hoje estão experimentando sua idade mais avançada melhor que a de seus pais. Embora as taxas de grave incapacidade tenham diminuído nos países de alta renda nos últimos 30 anos, não houve mudança significativa na incapacidade leve e moderada durante o mesmo período.  

Se as pessoas puderem experimentar esses anos extras de vida gozando de boa saúde e viverem em um ambiente de apoio, sua capacidade de fazer as coisas que valorizam seria pouco diferente do que a de uma pessoa mais jovem. Se esses anos adicionais são dominados por declínios na capacidade física e mental, as implicações para as pessoas idosas e para a sociedade são mais negativas.  

Envelhecimento explicado  

Em um nível biológico, o envelhecimento resulta do impacto da acumulação de uma grande variedade de danos moleculares e celulares ao longo do tempo. Isso leva a uma diminuição gradual da capacidade física e mental, um risco crescente de doenças e, em última instância, à morte. No entanto, essas mudanças não são nem lineares nem consistentes, apenas vagamente associadas com a idade de uma pessoa. Enquanto algumas pessoas com 70 anos gozam de uma saúde extremamente boa e funcional, outras com a mesma idade são frágeis e requerem uma ajuda significativa de outras pessoas.  

Além das mudanças biológicas, o envelhecimento também está associado a outras transições de vida, como a aposentadoria, a mudança para uma moradia mais apropriada e a morte de amigos e parceiros. Ao desenvolver uma resposta de saúde pública para o envelhecimento, é importante não apenas considerar abordagens que melhoram as perdas associadas à idade avançada, mas também aquelas que podem reforçar a recuperação, a adaptação e o crescimento psicossocial.  

Condições de saúde comuns associadas ao envelhecimento  

As condições mais comuns na idade avançada são perda auditiva, cataratas e erros refrativos, dor nas costas e pescoço, osteoartrite, doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes, depressão e demência. Além disso, ao envelhecerem, as pessoas ficam mais propensas a experimentar várias dessas condições ao mesmo tempo.  

A idade mais avançada também é caracterizada pelo surgimento de vários estados de saúde complexos, que tendem a ocorrer somente mais tarde na vida e que não caem em categorias de doenças distintas - que são comumente chamadas de síndromes geriátricas. São muitas vezes consequência de múltiplos fatores subjacentes e incluem a fragilidade, incontinência urinária, quedas, delírio e úlceras por pressão. As síndromes geriátricas parecem ser maiores preditoras de morte do que a presença ou um número de doenças específicas. No entanto, fora dos países que desenvolveram a medicina geriátrica como especialidade, muitas vezes as pessoas idosas são negligenciadas em serviços de saúde tradicionalmente estruturados e em pesquisas epidemiológicas.  

Fatores que influenciam o envelhecimento saudável  

Embora algumas das variações na saúde das pessoas idosas sejam genéticas, muitas se devem ao ambiente físico e social em que vivem, incluindo suas casas, bairros e comunidades, bem como suas características pessoais: sexo, etnia ou status socioeconômico.  

Esses fatores começam a influenciar o processo de envelhecimento em uma fase precoce. Os ambientes em que as pessoas vivem com crianças - ou mesmo com fetos em desenvolvimento -, combinados às suas características pessoais, têm efeitos a longo prazo sobre como elas envelhecem.  

Ambientes também têm uma influência importante no desenvolvimento e manutenção de comportamentos saudáveis. Manter comportamentos saudáveis ao longo da vida, particularmente tendo uma dieta equilibrada, praticando atividade física regular e evitando o uso de tabaco, contribuem para reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis e melhorar a capacidade física e mental.  

Comportamentos também permanecem importantes na idade avançada. Treinamento de força para manter a massa muscular e boa nutrição podem ajudar a preservar a função cognitiva, atrasar a dependência de cuidados e reverter a fragilidade. Ambientes de apoio permitem que as pessoas façam o que é importante para elas, apesar das perdas de capacidade. Edifícios e transportes públicos seguros e acessíveis e locais com acessibilidade são exemplos de ambientes de apoio.  

Desafios na resposta ao envelhecimento da população  

Diversidade na idade avançada  

Não há um “estereótipo” de uma pessoa idosa. Algumas pessoas com 80 anos de idade têm capacidades físicas e mentais semelhantes a muitas com 20. Outras pessoas experimentam declínios significativos nas capacidades físicas e mentais em idades muito mais jovens. Uma resposta abrangente de saúde pública deve abordar essa vasta gama de experiências e necessidades das pessoas idosas.  

Desigualdades na saúde  

A diversidade observada na idade avançada não é aleatória. Uma grande parte decorre dos ambientes físicos e sociais das pessoas e do impacto desses ambientes em suas oportunidades e comportamentos de saúde. A relação que temos com os nossos ambientes é desviada por características pessoais, como a família em que nascemos, o nosso sexo e a nossa etnia, levando às desigualdades na saúde. Uma proporção significativa da diversidade na idade avançada é devida ao impacto cumulativo dessas desigualdades de saúde ao longo da vida. A política de saúde pública deve ser elaborada para reduzir, em vez de reforçar, essas iniquidades.  

Estereótipos ultrapassados e preconceito com pessoas idosas  

As pessoas mais velhas são frequentemente consideradas frágeis ou dependentes além de um fardo para a sociedade. A saúde pública e a sociedade como um todo precisam abordar essas e outras questões, que podem levar à discriminação, afetar a forma como as políticas são desenvolvidas e as oportunidades que as pessoas idosas têm de experimentar um envelhecimento saudável.  

Um mundo mudando rapidamente  

A globalização, os desenvolvimentos tecnológicos (como por exemplo o domínio dos transportes e das comunicações), a urbanização, a migração e a alteração das normas de gênero estão a influenciando direta e indiretamente as vidas das pessoas idosas. Embora o número de gerações sobreviventes em uma família tenha aumentado, hoje é mais provável que essas gerações vivam separadamente. Uma resposta de saúde pública deve fazer um balanço destas tendências atuais e projetadas e enquadrar as políticas de forma adequada.  

Resposta da OMS

De acordo com a Resolução WHA 69.3, a OMS elaborou a Estratégia Global e Plano de Ação sobre o Envelhecimento e a Saúde, em consulta com os Estados-Membros e outros parceiros. A Estratégia e o Plano de Ação se baseiam nas evidências do relatório mundial sobre envelhecimento e saúde e nas atividades existentes para abordar cinco áreas de ação prioritárias.  

  • Consulta sobre a “Global strategy and action plan on ageing and health”;
  • Compromisso com o envelhecimento saudável, que requer consciência de seu valor e do compromisso e ação sustentados para formular políticas baseadas em evidências, que fortaleçam as habilidades das pessoas idosas;
  • Alinhar os sistemas de saúde às necessidades da população idosa. Os sistemas de saúde precisam ser melhor organizados em torno das necessidades e preferências dessa faixa etária, projetados para melhorar a capacidade intrínseca desse grupo e integrados em diferentes configurações e prestadores de cuidados. As ações nessa área estão estreitamente alinhadas com outros trabalhos em toda a Organização para fortalecer os cuidados de saúde universal e os serviços de saúde centrados nas pessoas;
  • Desenvolver sistemas de prestação de cuidados de longa duração. São necessários sistemas de cuidados prolongados em todos os países para satisfazer as necessidades das pessoas idosas. Isso requer desenvolvimento, sistemas de governança, infraestrutura e capacidade de mão-de-obra. O trabalho da OMS em cuidados de longa duração (incluindo cuidados paliativos) está em consonância com os esforços para melhorar a saúde universal, tratar as doenças não-transmissíveis e desenvolver serviços de saúde centrados nas pessoas e integrados.
  • Criar ambientes “age-friendly” (“amigáveis às pessoas idosas”). Isso exigirá ações para combater o envelhecimento, permitir a autonomia e apoiar o envelhecimento saudável em todas as políticas e em todos os níveis de governo. Essas atividades têm base e complementam o trabalho da OMS durante a última década para desenvolver cidades e comunidades “age-friendly”.
  • Melhoria da mensuração, monitoramento e compreensão. Novas métricas e métodos analíticos são necessários para uma ampla gama de questões sobre o envelhecimento. Esse trabalho tem base no extenso esforço da OMS para melhorar as estatísticas e informações sobre saúde, por exemplo, por meio do Estudo sobre o envelhecimento global e saúde dos adultos (SAGE, sigla em inglês). 

Fonte: OPAS/OMS BRASIL

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