Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 Login
O Carnaval mobiliza milhões de pessoas em todo o país e impõe ao organismo um ritmo muito diferente da rotina habitual. São longos períodos de exposição ao sol, deslocamentos intensos, alimentação irregular, noites mal dormidas e, em muitos casos, consumo excessivo de álcool. Como consequência, os serviços de saúde registram aumento significativo de atendimentos relacionados à desidratação, exaustão física, distúrbios gastrointestinais, intoxicação alcoólica e acidentes evitáveis. Ainda assim, adoecer durante a folia não é uma condição inevitável. Com escolhas conscientes, é possível aproveitar o Carnaval com segurança, energia e bem-estar.
A hidratação adequada é um dos cuidados mais relevantes nesse contexto. A ingestão regular de água ao longo do dia favorece o funcionamento celular, auxilia no controle da temperatura corporal e reduz sintomas como fadiga, tontura e mal-estar. Em ambientes quentes e com esforço físico prolongado, a perda de líquidos ocorre de forma acelerada, exigindo reposição constante. Intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água é uma medida simples e clinicamente eficaz, capaz de minimizar os efeitos da desidratação e preservar o equilíbrio do organismo.
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A alimentação exerce papel igualmente estratégico. Permanecer longos períodos em jejum compromete a energia, desregula a glicemia e dificulta a recuperação física. Refeições leves, fracionadas e ricas em nutrientes — como frutas, vegetais, proteínas magras e fibras — contribuem para maior estabilidade metabólica, melhor digestão e disposição prolongada, mesmo diante de uma rotina intensa. Alimentar-se bem durante o Carnaval não significa restrição, mas planejamento e cuidado.
O consumo de álcool merece atenção especial. Em excesso, interfere na qualidade do sono, na hidratação, na coordenação motora e na capacidade de julgamento, além de sobrecarregar o fígado e o sistema cardiovascular. A moderação, associada a uma alimentação equilibrada e à ingestão adequada de líquidos, reduz significativamente seus impactos e permite que o organismo mantenha seu funcionamento fisiológico dentro de parâmetros seguros, inclusive nos dias seguintes à festa.
Mesmo durante períodos festivos, manter o corpo em movimento continua sendo benéfico à saúde. A prática regular de atividade física favorece a circulação, contribui para o equilíbrio hormonal e impacta positivamente o bem-estar mental. As recomendações da Organização Mundial da Saúde indicam entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada — uma meta possível, mesmo com ajustes pontuais na rotina do Carnaval.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o sono. O ciclo circadiano, responsável por regular o relógio biológico, exerce influência direta sobre a imunidade, a atenção, o humor e a capacidade de recuperação do organismo. A privação de sono ou a inversão prolongada entre dia e noite fragilizam o corpo e aumentam o risco de adoecer. Preservar períodos adequados de descanso não é incompatível com a festa; é uma estratégia clara de saúde e autocuidado.
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Bebida e direção: uma combinação trágica e evitável
Todos os anos, o Carnaval é marcado por números alarmantes de acidentes graves, mortes e internações provocadas pela associação entre álcool e direção. Trata-se de uma das principais causas de traumas evitáveis nesse período. Em um cenário com ampla oferta de transporte por aplicativo, deixar o carro na garagem é uma decisão inteligente, responsável e segura. Essa escolha preserva vidas, evita sequelas permanentes e impede que a celebração termine em tragédia.
Crianças no Carnaval: cuidado é essencial
A presença de crianças no Carnaval exige atenção constante. Ambientes com grande aglomeração, calor e ruído aumentam o risco de desidratação, cansaço e desencontros. A hidratação deve ser frequente, a alimentação regular e o uso de protetor solar, chapéu e roupas confortáveis é indispensável.
Também é fundamental respeitar os limites físicos da criança, garantir períodos de descanso e utilizar identificação com contato dos responsáveis. Diversão infantil só é segura quando acompanhada de cuidado permanente.