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Bebida alcoólica: existe consumo seguro?

Publicado em 14/02/2023 às 11:28 por Editoria Movimento Saúde

É bastante comum se ouvir entre pessoas que têm o hábito tomar bebida alcoólica a desculpa: foi só uma cerveja... só uma taça de vinho...só uma dose de whisky e por vai... Mas será que existe uma quantidade segura de álcool para o organismo?

No Canadá, a resposta para essa pergunta não agradou em nada os adeptos de uma bebida no final do dia para relaxar. O documento, considerado muito rigoroso, informa que não existe dose segura. É álcool zero.

Aqui no Brasil não existe consenso médico para a questão. Mas o país segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também afirma não existir um padrão de consumo de álcool que seja absolutamente seguro, mas define, como dose padrão, 10g de etanol puro. 

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) considera que uma dose padrão corresponde a 14g de etanol puro no contexto brasileiro. Isso corresponde a uma latinha de 350 ml de cerveja (5% de álcool), 150ml de vinho (12% de álcool) ou 45ml de destilado (como vodca, cachaça e tequila, com aproximadamente 40% de álcool).

A OMS recomenda que homens e mulheres não excedam duas doses por dia e que se abstenham de beber pelo menos dois dias por semana.

Considerações de especialistas:
O presidente do Cisa destaca que é necessário considerar que o Canadá é uma potência em termos de diretrizes de saúde,e comenta que no campo da comercialização da maconha, o Canadá foi o primeiro país com grande economia a legalizar, e fazem estudos muito sérios.Mas sobre o rigor quanto ao álcool, ele aponta questões socioculturais. “Esta sobre o álcool é uma recomendação dura e forte — e é claro que não sou contra, são considerações feitas com base em estudos médicos. Mas deve-se também considerar o ponto de vista sociocultural — dependendo do país, é algo muito fácil de ser quebrado. Se um casal divide uma garrafa de vinho em um jantar comemorativo, já está fora do limite”, afirma Guerra.

Para o toxicologista Álvaro Pulchinelli, esse consumo moderado, no entanto, leva em conta o organismo de uma pessoa completamente saudável, sem qualquer doença crônica, como diabetes e hipertensão, que atingem cerca de 9% e 26% dos brasileiros, respectivamente, ou mesmo indivíduos que têm histórico familiar de alcoolismo. 
 “Então, as recomendações como as da OMS e as canadenses, que são bastante rígidas, refletem uma verdade para maioria da população, já que não há valores bem definidos de qual seria o consumo seguro de álcool em todas as situações”, complementa o médico.

De acordo com o presidente do CISA, o mesmo vale para quem tem doenças psiquiátricas.
“Pacientes com doenças como depressão, ansiedade, esquizofrenia, não deveriam consumir álcool. E se eventualmente, em uma celebração, a pessoa beber uma taça, isso significa que vai afetar o quadro psiquiátrico base? Não necessariamente. Mas o uso binge [bebedeira] e regular é totalmente contraindicado”, afirma Guerra.
“Então, as recomendações como as da OMS e as canadenses, que são bastante rígidas, refletem uma verdade para maioria da população, já que não há valores bem definidos de qual seria o consumo seguro de álcool em todas as situações”, complementa o médico.

Não adianta fazer “poupança” de limite de bebida:
A forma como cada um consome seus drinques também deve ser levada em consideração. “Claro que as pessoas  teriam prejuízo com grandes quantidades de ingestão semanal, ou com essa quantidade quando o indivíduo fala que não vai beber a semana inteira. Ah, então eu posso descontar tudo no sábado? Não, não é assim que funciona. Não é poupança de banco, que você fala, ah, eu economizei e agora eu posso gastar”, diz o toxicologista.

Pulchinelli aponta que quem bebe "pesado" de fim de semana tem tanto risco quanto o "bebedouro" crônico.
“Quem exagera em um único dia estressa o organismo duas vezes: pelo álcool em si e pela sobrecarga. É por isso que as diretrizes passaram a falar em limite diário em vez de limite semanal.”

Riscos do consumo exagerado ou prolongado do álcool:
O consumo de álcool é um fator causal em mais de 200 doenças e lesões, de acordo com a OMS.
Entre as comorbidades, o hábito está ligado ao maior risco de doenças não transmissíveis graves, como cirrose hepática, alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, além de lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito e também da dependência ao álcool.

Outro dado da Organização Mundial da Saúde aponta que cerca de 80% das mortes em que o álcool foi um “fator importante” ocorreram em três dos países mais populosos: Estados Unidos (36,9%), Brasil (24,8%) e México (18,4%).
Para pessoas com a doença, além dos riscos à saúde, vício em álcool pode resultar em danos a outras pessoas, como familiares e amigos, dificuldade em manter relacionamentos, sejam profissionais ou pessoais, e prejuízos financeiros.

Fonte: adaptada de BBC News

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