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Foto: Divulgação

Será mesmo o escorpião o vilão?

Publicado em 23/01/2018 às 19:33 por Rosi Rodrigues

O mais importante é que fique claro que não estamos falando de qualquer animal, estamos falando de um aracnídeo que foi desenhado para ser uma perfeita “máquina” de guerra. Tenho mais que certeza que nesse momento você se ajeitou na cadeira, respirou fundo e talvez tenha arrumado os óculos para seguir a leitura, então vamos lá. É o momento certo para que você pare e pense: que loucura é essa? Explico: os primeiros registros fósseis de aracnídeos terrestres apareceram no período carbonífero há 320 milhões de anos, já o ‘nosso’ aracnídeo, o escorpião, é o mais antigo da classe, e data do período siluriano, ou seja, há 438 milhões de anos, eis aí o nosso problema, ele resistiu ao pior das condições da seleção natural: o tempo.

Os escorpiões são invertebrados e têm hábitos noturnos. Eles passaram todos esses milhões de anos se “adaptando”, “ajustando”, “especializando” ao meio ambiente que os cerca, encontrando modos de manter sua natureza e sobrevivência. Seus hábitos são simples, eles se escondem durante o dia e saem à noite. Gostam de locais escuros e inóspitos, locais simples como embaixo de pedras, entre pedaços de madeiras, copas e cascas de árvores, em buracos de muros e calçadas, como também de entulhos diversos. Das 1.500 espécies de escorpiões conhecidas, com alegação de poderem chegar a 2.000 segundo estudiosos, apenas 200 são venenosas, destas 160 vivem no Brasil, e em nosso território, as espécies de escorpiões venenosos chegam a quatro, que são apresentados abaixo:

Tityus serrulatus (escorpião amarelo);

Tityus bahiensis (escorpião marrom);

Tityus stigmurus (escorpião amarelo do Nordeste);

Tityus paraensis (escorpião preto da Amazônia).

Esses animais são vivíparos e seus filhotes nascem por meio de parto, após uma gestação. A exemplo, temos o T. Bahiensis e T. Serrulatus no qual sua incubação dura de 2 meses e meio a 3 meses, e os filhotes com o passar do tempo, vão se juntando ao dorso da mãe. Já o T. Stigmurus consegue se fecundar sem o auxílio de um macho, através de um processo que se chama partenogênese. Outro fato incrível sobre os escorpiões é que eles podem ficar até 23 meses sem se alimentar, isso graças a um órgão interno que armazena comida, mas quando se encontram famintos, eles podem praticar o canibalismo.

São predadores natos, mas possuem, em seu ciclo natural, várias espécies que ameaçam sua sobrevivência, dentre elas: aranhas, lagartos, louva-a-deus, corujas, seriemas, macacos, pássaros, galinhas e sapos. É claro que existem particularidades, pois os sapos e os escorpiões, por exemplo, são ambos animais de hábitos noturnos, então as probabilidades de encontro entre eles são grandes, se coabitarem o mesmo local, e cada sapo podem comer vários escorpiões. Já as galinhas, porém, por serem diurnas, encontram os escorpiões eventualmente somente quando ciscam os terrenos, eis um fator que dificulta bastante o controle natural dessa população, em meio urbano.

Para entendermos mais esse animal e compreender melhor sobre seu mecanismo de vida e os problemas que ele traz para a saúde pública precisamos ter ciência que, hoje, os escorpiões ditos “amarelos” em seu tom de cor, são os que causam mais acidentes com possíveis vítimas fatais, se estas não atendidas em tempo oportuno, e temos dois representantes desta classe, o Tityus serrulatus e o stigmurus, com presença massiva no território Paranaense e em nossa região. Mas nem tudo é problema, estes animais maravilhosos produzem um único tipo de veneno, e eis aqui uma vantagem, pois um único tipo de soro é necessário para salvar vidas nos casos de acidentes com escorpiões venenosos.

Agora imagine: suas glândulas armazenam de 1 a 10 cc de veneno, e a intensidade do dano causado ao ser humano na inoculação deste veneno, está diretamente ligada à quantia do mesmo, injetada na hora picada. Sua peçonha trata-se de uma neurotoxina, muito irritante para as mucosas que ataca o sistema nervoso da vítima; e além de dores fortes – um dos sintomas mais clássicos da picada do escorpião – provoca sudorese, náuseas, vômitos e, por fim, insuficiência cardíaca e respiratória. Os riscos são maiores para o grupo de idosos e crianças pequenas em torno de até 4 anos, mas graças à facilidade da produção do antiveneno, o número de mortes de seres humanos, provocadas por ataques de escorpiões sempre varia entre 800 a 2000 por ano em todo o mundo, o que pode ainda ser considerado uma alta taxa de mortalidade, se comparada com outros agravos.

É controverso, mais os escorpiões, não atacam, a não ser suas presas naturais como as baratas. Assim, eles somente ‘se defendem’ ao sofrerem algum tipo de coação física. Outro exemplo: deve-se ter muito cuidado ao calçar os sapatos em áreas aonde há relatos de aparecimento do escorpião, pois pode estar escondido dentro do calçado, ao se colocar o pé no sapato e pressioná-lo ele atacará, como forma de defesa. Geralmente é assim que boa parte dos acidentes acontece, ocasionalmente.

E para o seu controle? A palavra-chave é: Limpeza.

Onde há sujeira, há possibilidade de haver a presença do animal, por isso é muito importante que a cidadania seja presente sempre, e o poder público esteja à frente daquelas situações aonde há impertinência de moradores, que não limpam seus quintais, ou que acumulam lixo, trazendo riscos sanitários. Todas essas situações são causadas tão somente pelo SER HUMANO, que cria as condições para que o animal se abrigue, sendo então nossa a responsabilidade pelos danos causados por eles. É um circulo vicioso!

É importante dizer que não é recomendada a aplicação de produtos químicos de higienização doméstica, compostos por formaldeídos, cresóis e para cloro-benzenos, nem de produtos utilizados como inseticidas, raticidas, mata-baratas ou repelentes do grupo dos piretróides e organofosforados, por causarem o desalojamento dos escorpiões para locais não expostos à ação desses produtos, aumentando assim o risco de acidentes.

Então, o que podemos fazer para nos prevenir?

Na área externa do domicílioManter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar, lajotas, madeiras etc; Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados, e entregá-los para o serviço de coleta; Não jogar lixo em terrenos baldios; Limpar terrenos baldios situados a cerca de dois metros (aceiro) das redondezas dos imóveis; Eliminar fontes de alimento para os escorpiões como baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados, que permanecem no lixo orgânico ou locais sujos; Evitar a formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, como obras de construção civil e terraplenagens que possam deixar entulho, superfícies sem revestimento, umidade etc.; Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados, evitando o acúmulo exagerado; Preservar os inimigos naturais dos escorpiões, especialmente aves de hábitos noturnos (corujas, joão-bobo, etc.), pequenos macacos, quati, lagartos, sapos e gansos; Evitar queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões; Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros; Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões; Rebocar paredes externas e muros para que não apresentem vãos ou frestas.

Na área interna: Rebocar paredes para que não apresentem vãos ou frestas; Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha; Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas; Telar as aberturas dos ralos, pias ou tanques; Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados; Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados. Fazer o controle de insetos na área interna, baratas principalmente.

Por fim o mais importanteem casos de acidente, procure sempre uma unidade de atendimento à saúde. Procurar orientação médica imediata, mais próxima do local da ocorrência do acidente é essencial. Sem demora acione o SAMU pelo 192, não deixe nunca de levar com urgência a vítima para receber atendimento (UBS, Hospitais, Pronto Atendimento), e se for possível e seguro, capture o animal e leve-o ao local em um pote seguro para a correta identificação.

Prevenir, manter limpos os quintais é mais que necessário, é essencial! E mais: Denuncie aos órgãos de Vigilância em Saúde e Postura do seu município a existencial de locais insalubres. Fica o toque!

Autor:

FLÁVIO POSSETI

Diretor da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) da Secretaria de Saúde de Umuarama

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