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Marcada por um passado triste de discriminação e isolamento de pacientes, a hanseníase possui tratamento eficaz e pode ser curada.

Foto: Divulgação

Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase

Publicado em 28/01/2019 às 10:59

No último domingo do mês de janeiro é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase. Durante todo o mês, o Janeiro Roxo, ações chamam a atenção da população e de profissionais de saúde para os sinais e sintomas e alertam para a importância do diagnóstico precoce, tratamento oportuno e ações de controle da doença.

O combate ao estigma e à discriminação também faz parte das ações do Dia Mundial. Por isso, nesta celebração é importante lembrar que a enfermidade, marcada por um passado triste de discriminação e isolamento de pacientes, possui tratamento eficaz e pode ser curada.

É essencial a conscientização da população e também dos profissionais de saúde. Muitos mitos e preconceitos sobre a hanseníase ainda confundem as pessoas, o que prejudica tanto a prevenção quanto o tratamento. Conhecer a doença é fundamental para que o tratamento seja realizado da forma adequada.

Quanto antes a pessoa iniciar o tratamento, menores são as chances de surgirem incapacidades físicas, além de favorecer a interrupção da cadeia de transmissão. A hanseníase deixa de ser transmitida poucos dias após o início do tratamento. Além disso, é reforçada a importância de que familiares, amigos e colegas de trabalho também sejam examinados.

Curso de capacitação: Hanseníase na Atenção Básica

Convivendo com a hanseníase
 

Marines Uhde sofreu as consequências da hanseníase
Marines Uhde, 44 anos, sentiu as consequências do início tardio do tratamento. Ela começou a sentir os primeiros sintomas da doença em 2004, mas não sabia exatamente do que se tratava. “Eu sou enfermeira e sempre desconfiei que poderia ser hanseníase. Mas eu não tive as manchas características pelo corpo. Comecei a sentir muitas dores no braço e fiz vários exames na época, mas não identificaram nada. Com o passar do tempo, tive nervos afetados e fui recebendo diagnósticos errados”, lembra. O diagnóstico da doença foi feito em 2012.

Além das dores e demais consequências da hanseníase, Marines teve que enfrentar a discriminação. “Eu me lembro de uma situação no trabalho. Quando eu disse que tinha a doença, uma colega se afastou de mim na hora. Deu um passo atrás. No meu caso, a doença não causou incapacidades visíveis e não sofri tanto quanto outras pessoas. Mas sempre procurei falar muito sobre o assunto, com objetivo de conscientizar mesmo”, explica.

A hanseníase é transmitida por meio de tosse ou espirro, pelo convívio prolongado com uma pessoa doente sem tratamento. Ou seja, não se pega a doença imediatamente ao ter contato com uma pessoa doente. Além disso, pessoas em tratamento não transmitem a doença.

Tratamento
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e centros de referências. O tratamento da doença é realizado com a poliquimioterapia, uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são realizadas pelo próprio paciente.

Marines fez todo o tratamento pelo SUS e foi considerada completamente curada no ano de 2014. Porém, o tempo de espera até a descoberta da doença deixou complicações permanentes. “Pelo tempo passado, perdi a força da mão, pernas e braços. Ainda tenho dificuldades para realizar as atividades mais simples do dia a dia”, conta.

Por isso, a enfermeira orienta as pessoas a conhecer a doença e a procurar um serviço de saúde se identificar algum sintoma. “Para pessoas que suspeitam ter a doença, eu aconselho que procurem uma segunda opinião, para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Além disso, diria para as pessoas que procurem saber mais sobre a hanseníase. Existe muito preconceito e o que a pessoa mais precisa nesse momento é de apoio”, desabafa.

Sintomas da Hanseníase
• Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.
• Áreas com diminuição dos pelos e do suor.
• Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas.
• Inchaço de mãos e pés.
• Diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
• Úlceras de pernas e pés.
• Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
• Febre, edemas e dor nas juntas.
• Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz.
• Ressecamento nos olhos.

Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

Uma doença histórica cercada de preconceitos
A hanseníase é uma das doenças mais antigas do mundo. Os primeiros registros históricos da remontam ao século 6 a.C. Por isso, também está associada com muito preconceito. Também conhecida como “lepra”, no passado foi associada ao pecado, à impureza e à desonra. Além disso, narrativas religiosas associavam as marcas na carne aos desvios da alma. Por isso, durante muitos anos, os portadores da doença foram duramente discriminados e excluídos da sociedade.

Em uma tentativa de reduzir o estigma da doença, desde 1995, o termo “lepra” e seus derivados foram proibidos de serem empregados nos documentos oficiais no Brasil. A doença foi batizada como hanseníase, em homenagem ao seu descobridor, o cientista norueguês Gerhard Hansen.


FONTE: BLOG DA SAÚDE - MINISTÉRIO DA SAÚDE

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