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A saúde é concebida a partir de um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, comportamentais, tecnológicos e biológicos.

Foto: Divulgação

A Importância da Vida Afetiva

Publicado em 01/01/2019 às 12:32 por Rosi Rodrigues

Vivemos hoje em uma sociedade capitalista, a qual nos impulsiona para obtermos sempre mais e mais coisas, o nosso pensamento se volta para "a busca do Ter." Segundo From (1976), podemos viver através de dois modos de existência "Ter" ou "Ser", cujas forças podem determinar as características individuais como também características sociais.

Ter é uma função normal de nossa vida, afinal devemos adquirir determinados bens para podermos desfrutá-los, vivemos em um mundo, cuja dimensão material ganhou lugar de destaque. Muitas vezes o ter acaba sendo mais importante que o ser e esta concepção de sociedade capitalista influencia negativamente na saúde emocional de muitas pessoas.

A saúde é concebida a partir de um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, comportamentais, tecnológicos e biológicos. Porém percebemos nitidamente um enfraquecimento ou substituição de valores fundamentais para os relacionamentos humanos, como o respeito, condições básicas de sobrevivência que visam promoção de saúde. Estes fatores não afetaram somente à estrutura psíquica do indivíduo, mas sim sua relação direta com o meio, principalmente as relações familiares.

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 900 mil pessoas cometeram suicídio no ano de 2003 e no ano de 2004, 8 mil brasileiros tiveram este mesmo destino, não estando inclusos nestes dados as tentativas; já nos EUA, 4 entre 10 pessoas são portadoras de algum tipo de Transtorno Mental. (OMS, 2006, p. 1).

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), Transtorno Mental é definido como.

"Uma Síndrome ou um padrão comportamental ou psicológico clinicamente importante que ocorre em um indivíduo e que está associado com sofrimento atual ou incapacitação, ou com um risco significativamente aumentado de sofrimento, morte, dor, deficiência, ou uma perda importante da liberdade". ( DSM-IV, 1994, p. 76 ).

Com relação à origem dos Transtornos Mentais, encontramos hoje uma dicotomia entre os saberes. Por um lado, pesquisadores defendem a hipótese de que os Transtornos Mentais são originados a partir de anomalias do funcionamento biológico do Sistema Nervoso Central, herdados através de formação gênica, considerando de forma irrelevante os aspectos ambientais. Por outro lado, encontramos pesquisadores que apresentam hipóteses que são baseadas, quase que de forma exclusiva em fatores ambientais desde a exposição a substâncias psicoativas no estado fetal, até a desnutrição, infecção, perturbação do ambiente familiar, abandono e isolamento.

O cuidado afetuoso, atento e estável permite a criança pequena desenvolver normalmente funções como a linguagem, o intelecto e a regulação emocional, a criança privada de afeto por parte de seus cuidadores tem mais probabilidades de manifestar Transtornos Mentais, seja durante a infância ou numa fase posterior da vida.

Ao analisarmos alguns dos principais Transtornos Mentais que acometem a sociedade tais como a Depressão, alcoolismo, Transtorno Bipolar, Transtornos de Ansiedade, encontraremos aspectos relevantes dos dois saberes: ora em fatores genéticos, ora em fatores ambientais, não sendo gerados unicamente por um ou por outro mesmo que por teorias distintas.

A vida afetiva é a esfera psíquica que dá a cor, o brilho a todas as vivências do ser humano, tentar negar a afetividade nos condena a uma vida vazia, sem um real sentido. É a partir de uma vivência saudável que poderemos afirmar se temos ou não saúde mental.

É normal que nosso humor oscile quando estamos alegres e rebaixado quando estamos tristes por algum acontecimento marcante como por exemplo a morte de um ente querido ou não conseguir "Ter" algo que muito deseja. Tais reações até certo ponto são consideradas saudáveis, pois nesta transição, realizamos reflexões e dependendo de como o indivíduo realiza suas escolhas este momento será ideal para o crescimento e fortalecimento emocional.

Considerando estas reações do ser humano é necessário diferenciarmos uma série de termos, os quais muitas vezes são utilizados como sinônimos em nosso cotidiano.

Na opinião de Dalgalarrondo (2000) o afeto como um termo genérico que expressa as emoções, humor e sentimentos. O sentimento como algo duradouro, com consistência, como: o amor, a gratidão, o ódio, o rancor, etc... A emoção um estado agudo, uma explosão de sensações como, por exemplo, a raiva e a paixão. As emoções são acompanhadas por processos fisiológicos expressados por reações físicas quase que imediatas como distúrbios gastrointestinais, crises de riso, choro, dependendo da emoção vivenciada pelo indivíduo e o humor como o estado afetivo da emoção e do sentimento em determinado momento, sendo este o principal componente para vida psíquica, pois é através dele que o indivíduo percebe e reage ao mundo que o cerca. O humor seria então o filtro regulador de nossa vida afetiva.

Entretanto, quando estas mudanças na vida afetiva surgem com um forte componente de irritação, amargura, desgosto ou agressividade e estas pessoas reagem de forma desproporcional a qualquer acontecimento de sua vida, torna-se necessário uma avaliação de um Psicólogo ou Psiquiatra, a fim de evitar um maior sofrimento e agravamento deste quadro.

A Psicoterapia segundo Angerami (1999), auxilia a pessoa a refletir sobre sua existência, sem se prender em nexo de causa e efeito, mas procura levá-lo a perceber-se para ampliar sua consciência de sua vida afetiva e chegar ao autoconhecimento. Já as psicoterapias de grupo ou individuais contribuem sobremaneira para o êxito do tratamento associado ao uso de medicações específicas nos casos mais agudos.

Não devemos perder o sentido da vida, fato provocado pela superficialidade da vida afetiva, valendo apenas a satisfação dos desejos e, mais do que isso, o fechamento em si mesmo, chegando a excluir o outro do seu horizonte, viver o momento atual e nada mais.

Aceitar nossas próprias limitações é aceitar que precisamos desenvolver nossa condição humana, é integrar de forma harmoniosa todos os aspectos de nossa vida afetiva. É estar atento para as possibilidades que a vida nos apresenta, questionando e refletindo sobre nossos valores, só assim poderemos minimizar os efeitos da vida moderna.

[1] Psicóloga, Especialista em Psicologia da Saúde e Hospitalar, Especialista em Saúde Mental e Mestre em Teologia com ênfase em Administração e Cuidado Pastoral - Atualmente Psicóloga na GTMartins Clínica Psicológica e Professora Universitária. contato: gtmpsico@gmail.com 

Fonte: http://www.blogdoprofessorhugo.com/2009

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